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Debatedores reconhecem papel da Embrapa na modernização da agropecuária

A capacidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de sustentar o protagonismo na geração de inovações, que nas últimas décadas orientou a modernização e o crescimento da agropecuária brasileira, foi analisada em audiência pública nesta quinta-feira (21) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
Foi unânime entre os senadores o reconhecimento da contribuição da Embrapa na transformação da agricultura praticada no país até a década de 1970, ineficiente e pouco produtiva, em um setor moderno e competitivo, líder mundial em exportações. Mas também foram comuns preocupações com a defasagem do conhecimento produzido no país e com a dependência de tecnologias geradas e controladas por outros países.
— A Embrapa foi muito importante, principalmente na ocupação do Centro-Oeste, no desenvolvimento de novas variedades e tecnologias. Mas o que me preocupa é a dependência tecnológica que temos em relação a outros países. Em áreas como transgenia e biotecnologia, estamos a reboque de outros países — disse o senador Blairo Maggi (PR-MT).
Na visão do parlamentar, para que o país continue a integrar o grupo de grandes atores mundiais no agronegócio, deve ampliar os aportes de recursos na pesquisa agrícola, de forma a superar os desafios colocados para o setor.
E não são pequenos esses desafios, como deixou claro o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na apresentação aos senadores. Além de mercados cada vez mais dinâmicos e competitivos, disse ele, a agropecuária enfrenta mudanças no clima, restrições no uso da água, permanentes ameaças à sanidade animal e vegetal, decorrentes das extensas fronteiras do país, entre outros desafios.
— Significa que vamos ter que investir cada vez mais em ciência, isso é inexorável. Precisamos dar cada vez mais atenção ao sistema de pesquisa e inovação — disse, ao informar que os países competidores no agronegócio aplicam cerca de 3,5% do produto interno bruto (PIB) agrícola em ciência e tecnologia, enquanto o Brasil investe em torno de 1,5% .

Rede

Na audiência, conduzida pela presidente da CRA, senadora Ana Amélia (PP-RS), Maurício Lopes informou que a Embrapa tem 9,8 mil empregados, dos quais 2,4 mil são pesquisadores, espalhados por uma rede de 46 unidades de pesquisa em todo o país. No último ano, disse, o orçamento da empresa foi de R$ 2,7 bilhões, com atuação no Brasil e em todos os continentes, em cooperação com entidades de pesquisa de diversos países.
Frente ao questionamento de Blairo Maggi sobre a pouca presença da Embrapa no mercado de transgênicos, Maurício Lopes disse que a Embrapa é uma das poucas instituições públicas de pesquisa agropecuária no mundo que consegue ter presença nesse mercado, que é extremamente intensivo em investimentos.
Em resposta ao senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), ele negou que a empresa tenha perdido pesquisadores, insatisfeitos com a restrição a pesquisas.
— Absolutamente não há evasão ou perda de competência e perdas de cérebros na Embrapa. Pelo contrário, o que temos é uma demanda imensa para que a Embrapa abra concursos. Muitas vezes perdemos um ou outro profissional que vai para o setor privado, mas nada como evasão de competências, não existe isso — afirmou.

Novos enfoques

Maurício Lopes apresentou aos senadores os programas de pesquisa desenvolvidos pela Embrapa e destacou novos enfoques, como a chamada agricultura multifuncional, na qual se inclui a produção de alimentos biofortificados, mais ricos em termos nutricionais e com maior atuação na promoção da saúde.
O dirigente também informou que a empresa tem ampliado as investigações em sistemas de produção que combinem produtividade com proteção ambiental, inclusão e melhoria da qualidade de vida no meio rural. Destacou a ampliação da agricultura de baixo carbono, focada em processos produtivos limpos e na gestão racional dos recursos hídricos.
Entre os resultados obtidos pela empresa, ele citou a manutenção do terceiro maior banco genético do mundo, conquistas em termos de melhoramento genético, o desenvolvimento de cultivares precoces para o Centro-Oeste, que já estarão à disposição dos produtores na próxima safra, entre outros.
Maurício Lopes ressaltou ainda os investimentos no programa de melhoramento preventivo, que visa formar, antecipadamente, estoques genéticos de diferentes culturas resistentes a pragas, antes que elas entrem no país.
— Estamos monitorando e mapeando quais são as pragas e doenças que estão circulando ao redor do mundo e que, se chegarem ao Brasil, podem causar um grande problema — disse.
Os senadores Donizete Nogueira (PT-TO), José Medeiros (PPS-MT) e Lasier Martins (PDT-RS) se disseram bem impressionados com os resultados obtidos pela empresa e a diversidade de ações. No mesmo sentido, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) citou variedade de café desenvolvida em Rondônia, que fez com que a cultura desse um salto de produtividade.

Extensão rural

Já os senadores Waldemir Moka (PMDB-MS) e Elmano Ferrer (PTB-PI), apesar de elogiarem a qualidade do trabalho da Embrapa, apontaram falhas no processo de divulgação dos novos conhecimentos aos agricultores. Na avaliação dos parlamentares, o desmonte do sistema de extensão rural prejudicou a difusão de tecnologias ao campo.
Ao concordar, a senadora Ana Amélia lembrou que a Comissão de Agricultura acompanhará neste ano a Política de Assistência Técnica e Extensão Rural, devendo aprofundar a discussão sobre os problemas do setor em audiências públicas com autoridades, extensionistas e representantes dos agricultores.
Também presente ao debate, João Flávio Veloso e Silva, chefe da Embrapa Agrossilvipastoril, unidade localizada em Mato Grosso, disse ser política da empresa a aproximação com as necessidades dos agricultores, de forma a desenvolver pesquisas para todos os segmentos, ou seja, para pequenos, médios e grandes produtores.

Agência Senado

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