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Manejo da dessecação na sojicultura

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess




















A soja é uma das mais importantes culturas agrícolas em todo o mundo e principalmente no Brasil, que é o segundo maior produtor, em virtude de toda cadeia produtiva e tecnológica desenvolvida em torno desta espécie oleaginosa.
Sua importância no cenário agrícola brasileiro se deve ao grande uso na alimentação animal em diversas atividades, como ração e também na alimentação humana, onde seu consumo tem sido cada vez maior.
As regiões de produção mais expressivas são o Centro-Oeste e Sul do Brasil, embora seu cultivo no Cerrado tenha se tornado possível graças à Embrapa, em parceria com produtores industriais e centros privados de pesquisa.
Falhas produtivas
Vários fatores podem contribuir para perdas na produção e qualidade da soja, dentre os quais a colheita. Sabe-se que a colheita constitui uma importante etapa no processo produtivo da soja, principalmente pelos riscos de perdas a que está sujeita a lavoura destinada ao consumo ou à produção de sementes.
Portanto, no decorrer de todo esse tempo de inovações e crescente evolução tecnológica no setor agrícola, várias técnicas de manejo foram sendo descobertas e aperfeiçoadas para evitar perdas na cultura, como a dessecação na cultura soja.
O que é a dessecação
A dessecação na cultura da soja é uma técnica adotada pelos agricultores com o intuito de antecipar a colheita, envolvendo a aplicação de um produto químico para forçar a secagem da cultura, o qual, uma vez aplicado, promove a rápida e completa secagem de todas as partes verdes da planta.
A dessecação é indicada quando a lavoura se encontra com plantas daninhas ainda verdes, no momento da colheita, ou quando a cultura apresenta maturação desuniforme.
Porém, este manejo agrícola é recomendado somente em área de produção de grãos, com o objetivo de controlar as plantas daninhas ou uniformizar as plantas com problemas de haste verde e retenção foliar. A realização da dessecação em campos de produção de sementes, segundo alguns pesquisadores, não é recomendada, uma vez que essa prática acarreta redução de qualidade de sementes, diminuindoseu vigor e germinação.
O que usar na dessecação
Atualmente, dois ingredientes ativos estão disponíveis (Paraquat e Diquat), que possuem as características necessárias para serem utilizadas em dessecação. O Paraquat (Gramoxone, na dose de 1,5-2,0 L/ha do produto comercial, classe toxicológica II) é recomendado na dessecação da soja e das plantas daninhas de folhas estreitas.
Já o Diquat (Reglone, na dose de 1,5-2,0 L/ha do produto comercial, classe toxicológica II) possui a mesma ação do anterior, porém, é mais eficaz para controlar plantas daninhas de folhas largas. A técnica baseia-se na aplicação de cada ingrediente ativo individualmente, ou se for necessário, uma mistura dos dois, conforme as espécies de plantas daninhas presentes.
A dessecação facilita a colheita de grãos, pois promove a rápida e completa secagem de todas as partes verdes da planta - Crédito Luiz Henrique Magnan
A dessecação facilita a colheita de grãos, pois promove a rápida e completa secagem de todas as partes verdes da planta – Crédito Luiz Henrique Magnan






















Quando dessecar
O ponto mais crítico da dessecação é a época de aplicação. Para a escolha correta da época de aplicação é preciso monitorar a lavoura e verificar o momento em que a soja completa sua maturação fisiológica (estádio R7), o que não é muito fácil de ser determinado a campo.
Na maturação fisiológica a semente já parou de acumular fotoassimilados. Neste estádio, as vagens começam a amarelar, assim como as folhas, normalmente de 10 a 15 dias antes da data prevista para a colheita. A partir desse momento, a dessecação pode ser iniciada.
Importante ressaltar que as aplicações nunca devem ser realizadas antes que os grãos estejam fisiologicamente maduros.Cuidados devem ser tomados na aplicação, sendo que os dessecantes são herbicidas não seletivos e que agem principalmente por meio de contato. É importante, portanto, tomar cuidados para que não ocorra deriva durante a aplicação e que a pulverização não atinja lavouras vizinhas.
Outro ponto muito importante que deve ser levado em conta no processo de dessecação é o prazo entre a aplicação e a colheita. Existe um período mínimo de carência, que varia de sete a dez dias e que deve ser observado entre a aplicação e a colheita, dependendo do produto, pois se este prazo não for observado poderá haver resíduos nos grãos.
Assim, o agricultor deve estar atento a esse fato, uma vez que, havendo resíduos, sua produção pode ser embargada e destruída.
FONTE: REVISTA CAMPOS E NEGÓCIOS
Pedro José Nascimento Cintra
Pedro Menicucci Netto
Graduandos em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), integrantes do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD) e do Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF

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